Monthly Archives: Maio 2013

Olinda Narciso já pode continuar a ler O MIRANTE

cartaPensionista por invalidez há 15 anos, Olinda Narciso, moradora no Casal das Atalaia, concelho de Tomar, escreveu a O MIRANTE a dizer que devido ao pouco que recebe e às muitas despesas que tem, não poderia continuar a ser assinante de O MIRANTE, jornal que lia com muito gosto e atenção porque, escreveu, “retrata fielmente os problemas da nossa região e dá informações muito úteis”. A sua carta, foi publicada na edição de 9 de Maio e passados uns dias teve resposta. Um leitor enviou ao jornal dinheiro para pagar a assinatura da senhora por cinco anos. A carta, que aqui reproduzimos não foi assinada, propositadamente, mas o gesto solidário merece destaque.

A Direcção de O MIRANTE

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Porque fica Tomar de fora da Grande Rota do Zêzere?

Tive conhecimento pela primeira vez, da Grande Rota do Zêzere, por uma notícia publicada no jornal O MIRANTE em Janeiro de 2008. Falava de 15 concelhos incluindo o de Tomar. Desde então, já escrevi vários artigos alusivos ao assunto, na tentativa de ir lembrando os responsáveis políticos e autarcas da nossa terra. Logo que tive conhecimento do que se estava a programar nunca mais parei, pois trata-se de um melhoramento que interessa a toda a gente, especialmente aos que vivem nas freguesias que limitam com a Albufeira do Castelo do Bode, S. Pedro, Serra e Olalhas.

A minha primeira reacção, foi como não podia deixar de ser, de aplauso, apoio e uma sugestão: que era de que devia ser construída uma ciclovia paralela ao percurso pedonal proposto. As notícias que me chegam é de que ela está contemplada em alguns concelhos. Publiquei o primeiro artigo no “Templário” em 31/01/08, o segundo em O MIRANTE em 14/02/08 e fiquei na expectativa. Passados mais de quatro anos, surgiu uma notícia no jornal Público onde pude constatar que já só se falava de 14 concelhos e que já não constava o de Tomar.

Como cidadão e como tomarense fiquei indignado e escrevi outro artigo que foi publicado no “Templário” em 03/01/13 onde pedia esclarecimentos à Câmara Municipal. Não obtive resposta. Em 15/01/13, o quinzenário “Serras de Ancião” publicou uma notícia de meia página alusiva à Grande Rota do Zêzere dizendo, inclusivamente, que se trata do maior percurso pedestre, o mais caro do país e adianta que já estão obras em marcha nos concelhos de Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Sertã e Oleiros. Afirma-se que a obra é da nascente à foz do Zêzere, e mais uma vez não consta o concelho de Tomar. Perante esta notícia fiz publicar novo artigo no “Cidade de Tomar”, em 22/02/13, a questionar desta vez o senhor presidente da câmara. Apesar de ser presidente há pouco tempo, como é vereador há muitos anos deve saber algo disto. Nem uma palavra.

Desta vez pergunto também à oposição se sabe qual é a situação de Tomar nesta obra. Eu sei muitas coisas a respeito desta iniciativa, até sei que ela não partiu das câmaras, mas sim de uma associação; sei mais, se não fosse o presidente, creio que da Câmara de Figueiró dos Vinhos, o projecto teria morrido na primeira reunião que se efectuou a pedido da referida associação. Por tudo isto, estou muito curioso e interessado em ler atentamente os programas dos candidatos às juntas de freguesia e câmara municipal para as eleições deste ano. Uma coisa é certa. Estarei atento.

Guilherme da Conceição Duarte

Quando a poesia permite ao jornalista descobrir outra verdade

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O poeta, dramaturgo e romancista Jaime Rocha, pseudónimo do ex-jornalista Rui Ferreira e Sousa, acredita que o sagrado no jornalismo passa pela descoberta da verdade, enquanto na poesia se procura descobrir também uma verdade, mas de outra natureza. “Permite-nos chegar a uma outra realidade, a algo que está escondido, a um mundo imaginário”. Também M. Parissy, pseudónimo do jornalista da Antena 1 Mário Galego, encontra um ponto comum entre o jornalismo e a poesia. “Quando estou a escrever para a rádio tenho de encontrar a melhor forma de comunicar, enquanto no poema não tenho essa necessidade. Também posso partir de factos, mas tenho liberdade para recriar esses mesmos factos”, referiu.

Jaime Rocha e M. Parissy estiveram durante a tarde de quinta-feira, 2 de Maio, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a convite de O MIRANTE, para participar no terceiro de uma série de encontros, intitulado “Dois poetas de dois mundos”, que o jornal está a organizar no âmbito das comemorações do seu 25º aniversário.

Jaime Rocha que tem alguma da sua obra editada pela Relógio D’Água confessou que não sabe quem vem primeiro, se o poeta ou o jornalista. O primeiro confronto surgiu quando verificou que enquanto jornalista não podia fugir aos factos e criar uma nova realidade. Escrever algo que morresse no dia seguinte também não era suficiente para si e por isso resolveu criar um pseudónimo para a escrita ficcional. “Interessava-me ser verdadeiro enquanto jornalista e falso enquanto escritor”, explicou.

São poucos os colegas de profissão que conhecem os livros de poesia de Mário Galego. “Escrevo livros com poucas páginas e pequenas tiragens, na maioria das vezes para distribuir pelos amigos. Não estou preocupado em ser conhecido. Escrevo porque gosto e antes de tudo sou jornalista”.

Apesar da ligação entre os dois mundos, a linha que separa o jornalismo da escrita ficcional pode ser perigosa. Jaime Rocha nota que existem “muitos jornalistas que por escreverem muito pensam que são escritores e depois publicam livros.” “É perigoso porque até pode ser um bom jornalista e um péssimo escritor. É algo que tem de ser muito bem pensado”. O autor de “Zona de Caça” alerta que uma pessoa deve optar pela profissão para poder sobreviver já que são muito poucos os que conseguem viver só da literatura. “O Rui trabalhava para o Jaime poder escrever”, referiu.

Sobre a possibilidade de a poesia “ajudar a combater a troika”‘ Mário Galego defende que a poesia pode ajudar a fazer parte do combate político. Já Jaime Rocha acredita que, antes das palavras, são precisas as pessoas. “A poesia e a música são uma mistura explosiva e os sistemas políticos podem tremer. A poesia sozinha não chega para combater a troika. Quem o pode fazer é a Assembleia da República, um milhão ou dois de pessoas, com ou sem poesia, mas tem de ser com pessoas”.

* Notícia desenvolvida na edição semanal de O MIRANTE