Daily Archives: 17 de Abril de 2013

Eduardo Cintra Torres no Museu do Neo-Realismo

Conversas sobre Cultura e Política – dia 19 Abril, às 16 horas. Entrada livre

Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão e de publicidade e professor auxiliar na Universidade Católica Portuguesa onde dá aulas sobre Televisão, Publicidade, Ética da Comunicação e Técnicas de Comunicação Audiovisual é o orador convidado para mais uma conferência inserida nas comemorações do 25º aniversário do jornal O MIRANTE. A iniciativa intitulada Lisboa aqui tão perto – Conversas sobre Cultura e Política no Ribatejo, decorre dia 19, sexta-feira, a partir das 16h00 no Museu do Neo-realismo em Vila Franca de Xira. Considerado por muitos como o mais polémico e mediático crítico de televisão em Portugal, Eduardo Cintra Torres tem dezena e meia de livros publicados, um dos quais é a sua tese de mestrado intitulada “A Tragédia Televisiva” (Lisboa, ICS, 2006). “A multidão e a televisão. Representações contemporâneas da efervescência colectiva” é o título da sua tese de doutoramento ainda não publicada em livro. As áreas que mais lhe interessam são os estudos televisivos numa perspectiva sociológica e de análise textual, a análise de publicidade e a sociologia da literatura. Neste último domínio já publicou meia dúzia de artigos sobre as representações da multidão na literatura no período aproximado de 1870-1930, em especial a portuguesa, mas também a francesa.

Adelino Gomes considera um acto de coragem fazer jornalismo regional

Em mais uma iniciativa de O MIRANTE o jornalista falou também sobre a verdade

O autor de “Nos Bastidores dos Telejornais – RTP, SIC e TVI” defende que muitas falhas nos noticiários que normalmente são atribuídas a pressões dos patrões, acontecem por desleixo, preguiça e desatenção dos jornalistas. Para ele o estudo da língua portuguesa e das regras da profissão só acabam com a morte.
O jornalista Adelino Gomes considera que fazer jornalismo de proximidade, na imprensa regional, é um verdadeiro acto de coragem porque implica viver diariamente com as pessoas que são alvo das notícias. Dando como exemplo o seu colega de profissão Tolentino da Nóbrega, que trabalha e reside na Madeira, de quem disse ter sido “ (…) a pessoa mais vezes visada nas notas oficiais do Governo Regional”, Adelino Gomes fez questão de explicar que quando fala em fazer jornalismo, se refere ao exercício da profissão de acordo com as regras que a regem, nomeadamente o código deontológico.
“Onde eu acho que o jornalismo é verdadeiramente um acto de coragem e muitas vezes uma acto de coragem não só intelectual, como deve ser, mas também de coragem física, é nos pequenos meios onde o jornalista encontra fisicamente, no café, na rua, todos os dias, aqueles que são objecto da sua vigilância crítica profissional. No altar de figuras que eu admiro estão os jornalistas que conseguem exercer a profissão nesses locais, em respeito pelo código deontológico, pelo exercício do contraditório e em respeito pelo outro”, explicou.
Adelino Gomes, que exerceu a actividade de jornalista entre 1966 e 2008, de forma regular, na rádio, televisão e jornais, sendo considerado como uma referência do jornalismo nacional, esteve em Vila Franca de Xira, na quarta-feira, 10 de Abril, ao final da tarde, no auditório do Museu do Neo-Realismo, a convite de O MIRANTE, para participar no primeiro de uma série de encontros que o jornal organiza, denominados “Conversas sobre Cultura e Política no Ribatejo”.
Comentando uma reflexão da presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), que participou na iniciativa, sobre a eventualidade de terem sido alterados os manuais de jornalismo e de já não existir código deontológico da profissão, o orador disse que o código está em vigor e que o problema é do seu incumprimento por alguns. “O decálogo (Dez Mandamentos) também não está a ser cumprido por todos os cristãos”, deu como exemplo.
Respondendo à autarca, sobre a verdade no jornalismo – “exijo que as notícias sejam verdadeiras” – Adelino Gomes defendeu o jornalismo como uma procura incessante da verdade e lembrou que os jornalistas não têm o tempo que têm os sociólogos ou historiadores para investigar determinados assuntos e que mesmo esses acabam por ver muito daquilo que escreveram, desmentido por novas investigações. “Os historiadores andam à procura de D. Sebastião. Ainda não o encontraram. Ainda há discussão sobre onde estão os restos mortais do rei D. Sebastião. O jornalista não tem esse tempo todo. Quando se diz que o jornalista não diz a verdade e devia dizer a verdade, é necessário perceber o que é a verdade em jornalismo? O jornalista tem uma obrigação de buscar a verdade mas quando o jornalista tem que publicar, o que se lhe exige é responsabilidade. Exige-se-lhe que, no momento em que publica uma notícia, tenha investigado o suficiente para estar convencido que aquilo que escreveu é verdade”, afirmou.
Adelino Gomes, que lançou recentemente o livro “Nos Bastidores dos Telejornais – RTP 1, SIC e TVI” (Edições Tinta da China), diz que alguns erros atribuídos a pressões dos patrões dos media são da responsabilidade dos jornalistas “(…) por preguiça; desleixo; distracção; cansaço…). Ainda sobre as relações entre jornalistas e patrões, defendeu que “a melhor lealdade dos jornalistas para com os meios de comunicação social em que trabalham é serem melhores jornalistas. É darem-lhe cachas (notícias em primeira mão). É darem-lhes boas reportagens. É estarem em todo o lado quando é necessário. É irem mais longe e mais fundo que os outros. É darem-lhes credibilidade. É serem leais aos princípios do jornalismo. É conhecerem a situação da empresa para a qual trabalham e não fazerem exigências absurdas”.

“Um jornalista tem que estudar a língua todos os dias”
Adelino Gomes confessou que apesar de não estar a exercer a profissão de jornalista ainda acorda a meio da noite a pensar como há-de abordar determinado assunto ou como deve abrir determinada reportagem. Ao fim de 42 anos a trabalhar em diversos meios de comunicação social diz que, para um jornalista, a aprendizagem da língua portuguesa e da profissão só acabam com a morte. “O jornalista tem que estudar todos os dias a língua portuguesa e amá-la. E tem que estudar todos os dias as questões relacionadas com a profissão. Rever todos os dias a matéria dada”.
No início da conferência, o orador leu os primeiros parágrafos da “Apresentação” do seu livro, onde pede desculpa por uma “espécie de arrogância” dos jornalistas da sua geração. “As audiências funcionavam para nós como uma massa indefinida, um bruá. De onde aceitávamos que emergisse uma voz para escrever uma carta, pedir um disco, participar num concurso ou, vá lá, ilustrar uma peça sobre a desvalorização do escudo, uma remodelação governamental, um desastre, um crime”. Já no final, respondendo a uma jovem jornalista que o questionou sobre se a postura de alguns recém-licenciados que chegam às redacções convencidos que já sabem tudo, também não será um acto de arrogância, Adelino Gomes disse esperar que a nova geração de jornalistas também seja capaz de fazer a sua autocrítica.